Ilhas Falkland: Minha experiência e dicas para você planejar sua viagem!
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Reuni o que aprendi sobre este Território Ultramarino Britânico localizado na América do Sul, um pouco do que vivi e senti durante a minha estadia no arquipélago e dicas para você planejar sua viagem para as Ilhas Falkland e ser um turista consciente por lá. Vem comigo!
Imagine um lugar onde a natureza selvagem vive livre e a quantidade de pinguins e ovelhas é muito maior do que a de humanos. Pense em um lugar frio, mas com pessoas que te trazem aquele quentinho no coração. Um lugar quase invisível no fim do mapa-múndi, mas que se torna um dos destinos mais marcantes para quem o visita. Assim são as Ilhas Falkland (ou Falkland Islands em inglês), conhecidas por muitos brasileiros como Ilhas Malvinas – nome do arquipélago até que o Reino Unido venceu a guerra de 1982 contra os argentinos. Se você, assim como eu, ama destinos de natureza nada convencionais, prepare-se para uma aventura inesquecível!
Neste guia introdutório, trago informações extremamente relevantes para você planejar sua viagem às Ilhas Falkland, além de curiosidades, dicas e observações com base na minha experiência pessoal de oito dias.
Neste texto você vai encontrar:
Uma breve introdução ao destino
As Ilhas Falkland estão localizadas na América do Sul, a aproximadamente 480 km da costa Argentina. Cercado pelo Oceano Atlântico, o arquipélago é composto por duas ilhas principais, East Falkland e West Falkland, e mais de 700 outras ilhotas, totalizando um território de pouco mais de 12.000 quilômetros quadrados.
Leitura recomendada:
Embora sejam governadas de forma independente, as Ilhas Falkland não são consideradas um país. O arquipélago é um Território Ultramarino Britânico – assim como as Bermudas e Anguilla, e continuam necessitando do Reino Unido para a proteção do território e relações exteriores.
Seu nome foi inspirado no estreito Falkland Sound. Falkland Sound é o nome que o marinheiro John Strong deu ao canal entre as ilhas para homenagear o Visconde de Falkland (cidade escocesa), um dos proprietários do navio de sua expedição em 1690.
A bandeira das Ilhas Falkland destaca a ligação com o Reino Unido e valoriza a criação de ovelhas, uma atividade econômica crucial do arquipélago. Ela também celebra o primeiro avistamento das ilhas em 1592 pelo capitão inglês John Davis, por meio da imagem da embarcação, o navio Desire. Esse navio é a referência do lema “Desire the Right“.

O idioma oficial é o inglês. Segundo o último Census (2021), a sua população é de 3.662 pessoas, sendo que 2.974 habitam a capital Stanley e aproximadamente 44,6% dos residentes nasceram no arquipélago.
A principal fonte de renda de Falklands é a pesca e a aquicultura, correspondendo a aproximadamente 59% do PIB, segundo relatório divulgado pelo governo em abril de 2024. Durante sua viagem, você perceberá que há diversas fazendas nas ilhas, e que muitos habitantes se sustentam através da exportação da lã Merino, que é considerada a melhor lã do mundo. O turismo também é uma importante fonte de renda para os moradores, que oferecem acomodações e refeições para seus hóspedes.

Fonte: falklands.gov.uk
Uma viagem pela história
Muitos eventos compõem a história de Falklands, resolvemos compartilhar aqui esses dois:
1) A visita de Darwin
Charles Darwin, naturalista e biólogo britânico conhecido por desenvolver a teoria da evolução por seleção natural, esteve no arquipélago a bordo do HMS Beagle em dois momentos diferentes de sua vida. A primeira visita foi em março de 1833 e a segunda em março de 1834.
Durante suas pesquisas, Darwin encontrou fósseis com mais de 400 milhões de anos e percebeu semelhanças com outros fósseis encontrados na África do Sul. Essas descobertas contribuíram posteriormente para a teoria da deriva continental, proposta pelo geólogo e meteorologista alemão Alfred Wegener, que sugere que os continentes já estiveram juntos em um supercontinente chamado Pangeia antes de se separarem.

Foto: Elaine Villatoro
Darwin também chegou a ver pessoalmente e a prever a extinção da única espécie quadrúpede endêmica do arquipélago, o warrah – também conhecido como lobo-das-malvinas.
2) Falklands War / Guerra das Malvinas
A história de Falklands conta episódios de ocupações e disputas entre britânicos, franceses, espanhóis e argentinos. Sem dúvidas, o conflito entre britânicos e argentinos em 1982 foi o mais marcante de todos. Conhecida por sul-americanos como a Guerra das Malvinas ou como Guerra de Falklands (Falklands War) em outros cantos do mundo, seu resultado gera polêmicas até os dias atuais.
Embora a batalha tenha sido vencida pelos britânicos, argentinos seguem afirmando que as Malvinas lhes pertencem. Em 2013, foi realizada uma votação para que os residentes manifestassem sua opinião sobre quem deveria comandar o arquipélago e 99,8% da população apoiou a soberania do governo britânico.


Seria esse o fim das Ilhas Malvinas como território argentino? Em teoria sim, mas a Argentina continua reivindicando o território e durante a campanha eleitoral de 2023 de Javier Milei, atual presidente da Argentina, ele disse que recuperaria a soberania.
Eu particularmente não sou historiadora e não tenho base o suficiente para opinar. Mas de qualquer forma, acho importante lembrar que como visitantes, devemos ouvir mais e falar menos. Só quem viveu a história sabe das dores que carrega.
Dica da raposa
- Eu achei este resumo do Café com História muito interessante. No site do governo você também encontra mais informações sobre a Guerra das Malvinas.
Cultura & dia a dia
Uma breve introdução sobre a cultura e realidade de quem vive nas Ilhas Falkland.
Fazendas
Este destino tem aquele “ar” de cidadezinha do interior, onde todo mundo se conhece. Há fazendas espalhadas por todas as ilhas, uma tradição que chegou junto aos seus primeiros colonizadores. Aliás, ao viajar para além de East Falkland, é provável que você se hospede em alguma fazenda e tenha a oportunidade de vivenciar mais de perto a cultura de tosquia de ovelhas, comidinhas caseiras e a rotina de dormir e acordar cedo em meio a uma tranquilidade deliciosa.
No meu caso, pude vivenciar isso mais de perto em Pebble Island, Hill Cove (West Falkland) e durante um passeio para Goose Green (East Falkland) com o Nobby, um nativo que diz que assim como um pinguim, ele foi “chocado” em Falklands ☺️. Nobby me perguntou se eu gostaria de parar brevemente na fazenda que sua filha arrenda, em Fitzroy. Foi lindo ver o cuidado que Suzi tem com os animais, como ela sabe o nome de suas ovelhas e como o pequeno Keaton, neto de Nobby, estava empolgado para alimentar os bichos e dar mamadeira para o cordeiro de quatro dias de vida que eles resgataram na estrada.



Sustentabilidade no dia a dia
- Em Falklands as ovelhas vivem livres e a tosquia é feita à mão pelos fazendeiros. Também é muito comum encontrar comidinhas caseiras nas hospedagens, com ingredientes produzidos localmente.
Logística
A dificuldade logística que os moradores enfrentam me lembrou bastante do tempo em que morei em Boipeba, na Bahia. Fiquei conversando sobre isso com a Phyl, uma das proprietárias da Bleaker Island. Durante minha estadia, eles receberam via balsa algumas mercadorias para o Natal. Tudo tem que ser planejado com muita antecedência para que possam receber a tempo. Outra curiosidade é que há embarcações que saem desde o Reino Unido para levar mercadorias para Falklands. Por isso, é possível encontrar tantos produtos comuns na Europa por lá.
“Embora a limitação logística possa perturbar alguns humanos, é ela que faz com que o território seja abrigo para tantas espécies de animais incríveis e de quebra nos oferece experiências de turismo de observação tão exclusivas e memoráveis.”
Elaine Villatoro
Gastronomia nas Ilhas Falkland
Quanto à gastronomia, as Ilhas Falkland possuem uma grande influência britânica e usam ingredientes vindos da fazenda. Purê de batata, frango e costelas de cordeiro são consumidos com frequência. Além disso, por se tratar de um destino litorâneo, peixes e frutos do mar são bem comuns, em especial merluza-negra, vieira e lula.



Algumas novidades que encontrei por aqui foram:
- Smoko: parecido com nosso café da tarde, conta com chá, café, bolos e biscoitos.
- Geléia de diddle-dee: é uma geléia feita de frutinhas vermelhas de uma vegetação nativa chamada diddle-dee. Eu particularmente não curti muito, mas acho válido experimentar. Em algumas lojas de presente em Stanley você pode comprar potinhos pequenos para provar ou dar de presente.
- Ruibarbo: um vegetal que eles costumam usar como fruta. Em Hill Cove comi ruibarbo de sobremesa, fervido, amassado e com açúcar para quebrar o azedinho. Curti!



Dica da raposa
- É vegetariano ou vegano? Certifique-se de avisar a acomodação sobre suas restrições alimentares com antecedência. A maioria das hospedagens fora da capital são em fazendas, então a carne costuma estar presente no cardápio e as opções são limitadas.

Turismo: Por que visitar as Ilhas Falkland?
Motivos para visitar Falklands não faltam:
Turismo de natureza & exclusivo
Acredito que a maior parte das pessoas que vão para as Ilhas Falkland têm como objetivo presenciar a natureza em sua forma crua, sem grandes interferências humanas. São poucos os destinos no mundo que oferecem ao viajante a oportunidade de se sentir completamente imerso no reino animal, e esse é um deles. A não ser que você opte por explorar Falklands por meio de cruzeiros ou tenha o azar de escolher uma atividade justamente no dia da chegada de uma embarcação cheia de passageiros.

Como você já deve ter notado, o Live More, Travel More visa promover o turismo responsável, e por isso recomendamos que em Falklands você organize a viagem de forma independente, sem participar de grandes grupos que contribuem com o turismo de massa e deixam impactos negativos no destino.
Além de ser mais sustentável, esse modelo de viagem proporciona experiências únicas, permitindo maior conexão com o povo local e momentos tranquilos entre você e os animais que observa e fotografa.
Turismo fotográfico
Claro, outra grande razão para visitar Falklands é fotografar! Sem sombra de dúvidas este destino é um dos sonhos para amantes de fotografia de natureza. A exclusividade mencionada anteriormente e a grande oferta de vida animal aumentam as chances de cliques mais que perfeitos.



Turismo de guerra
Uma experiência que muitos buscam em Falklands é o turismo de guerra. Ele não é o foco do Live More, Travel More, mas uma vez estando neste destino, achei uma boa ideia aprender sobre e com o seu passado. Se você se interessa pelo tema, não deixe de visitar o museu histórico de Stanley e ir à Green Goose e na Pebble Island. Além disso, em vários lugares você encontrará memoriais em homenagem a argentinos e britânicos que perderam suas vidas durante a batalha.

Foto: Elaine Villatoro
Turismo consciente
- Lembre-se que toda guerra gera angústia, tristeza, e traumas para quem sai dela. Respeite o tema e as dores de cada pessoa envolvida. Tenha delicadeza nas suas perguntas e comentários. Ouça diferentes pontos de vista, exerça a empatia e os respeite.

Curiosidade: Em Bleaker Island, fiquei na mesma hospedagem que Cedric Delves e sua esposa. Cedric foi o comandante que, aos 35 anos de idade, ordenou a explosão dos onze aviões em Pebble Island em 1982. Ele tem um livro chamado “Across an Angry Sea“, eu não li ainda, mas está na minha lista.
Turismo de base comunitária
Nos pequenos vilarejos e ilhas você terá a oportunidade de se acomodar na hospedagem de nativos com o que eles chamam de full-board (todas as refeições inclusas). Nesses casos você poderá jantar com seus anfitriões, provar pratos tradicionais com ingredientes vindos direto da fazenda, trocar ideias e conhecimentos, e viver uma experiência imersiva.
Esta foi uma das coisas que mais me surpreendeu nessa viagem. Eu esperava ficar encantada com os animais, mas as pessoas que conheci são do que mais sinto saudade.
Elaine Villatoro



Saiba que eles também se interessam pela nossa história. Creio que receber visitantes do mundo inteiro é uma maneira de muitos nativos de Falklands “viajarem”.
Turismo detox
Eu particularmente acabei nomeando o turismo nas Ilhas Falkland de “turismo detox“.
Por ser um lugar com acesso restrito à internet, que proporciona um silêncio que a gente esquece que existe e uma conexão profunda com a natureza, aqui eu realmente consegui me desconectar do mundo externo, olhar pra dentro, e viver intensamente o presente.
Aliás, escrevo esse texto já com uma saudade gigantesca de como eu me senti e das pessoas que conheci por lá. Meu coração já pede para eu voltar!

Foto: Elaine Villatoro
Seja com o intuito de fotografar a vida selvagem, se reconectar consigo mesmo, ou viver momentos de muita presença com as pessoas que você ama, Falklands é para você!
O que você precisa saber antes de viajar para Falklands
Visto e passaporte
A permissão para brasileiros entrarem nas Ilhas Falkland é emitida logo na chegada ao destino, outras nacionalidades podem requerem autorização prévia. O passaporte é carimbado e o visto tem validade de 30 dias. Informações atualizadas sobre o visto podem ser acessadas aqui.
Ah, não esqueça que seu passaporte deverá ser válido por no mínimo mais 6 meses quando chegar no arquipélago.
Comprovantes
Os visitantes precisam apresentar comprovantes de passagem para o próximo destino, das reservas de acomodações, e seguro viagem.
Seguro viagem para as Ilhas Falkland
Segundo o site oficial, é obrigatória a contratação de um seguro viagem com cobertura de no mínimo USD 2.000.000 para evacuação médica de emergência (via aérea). Porém, não encontrei nenhum seguro com tamanha cobertura. O melhor que consegui foi o da SafetyWing e eles aceitaram. Eu gosto muito dessa seguradora por conta do preço competitivo, cobertura maior do que a de concorrentes (USD 250.000) e que inclui até prática de esportes de aventura. Veja mais informações sobre a apólice no site.


A raposa ligeira alerta 🦊: Lembre-se de ler a apólice do seguro por completo para evitar surpresas. Cada indivíduo pode ter necessidades diferentes.
Moeda local e câmbio
A moeda oficial é a Falkland Islands pound, que no Brasil é chamada de libra das Malvinas. Ela tem o mesmo valor da libra esterlina, a moeda oficial do Reino Unido. Tanto dólares americanos quanto a libra esterlina são bem aceitos em todo o território. A moeda local só é disponível ao chegar no país e só é possível sacar ou trocar dinheiro em dois lugares, ambos em Stanley.
Dica da raposa
- Caso precise sacar ou trocar dinheiro, faça assim que chegar em Stanley. Não há caixas eletrônicos e nem bancos em outras ilhas.
O único banco do arquipélago é o Standard Chartered Bank. Ele fica na Ross Road, próximo à igreja St. Mary’s e funciona em dias úteis das 9hrs às 15hrs. Aqui você pode trocar seu dinheiro para a moeda local ou sacar.
Para sacar dinheiro a qualquer momento, há um caixa eletrônico (ATM) dentro da loja de conveniência de um posto de gasolina chamado Stanley Services, na Airport Road.
É possível utilizar cartões de crédito com frequência, mas lembre-se que além de ficar sujeito à cotação do dólar do dia de fechamento da fatura, também será cobrada a taxa de IOF. Pelo que percebi, Mastercard e Visa são aceitos com mais facilidade do que AMEX e DinnersClub. Uma boa alternativa para evitar custos com as taxas mencionadas, é a utilização de um cartão global pré-pago. Eu uso o do Inter e recomendo.
Internet
Trabalhar como nômade digital em Falklands não é uma boa ideia. O acesso à Internet é caríssimo por aqui e com isso você raramente conseguirá ter acesso a wi-fi. Ainda assim, quando tiver, é provável que seja bem limitado, tornando possível apenas checar emails e WhatsApp.
Verifique com sua acomodação se eles oferecem este serviço e assim que chegar, compre alguns cartões pré-pagos para utilizar em caso de emergência. Para referência, em 8 dias eu usei £20*.

Dica da raposa
- Que tal desconectar para conectar? Aproveite os momentos de desconexão com o externo para dedicar sua atenção e energia para as paisagens, os animais e as pessoas que te cercam!🥰 Nos stories eu conto sobre como minha viagem foi tão mais proveitosa e benéfica para minha saúde mental justamente por ter me afastado das redes.
Gripe aviária
Este é um tema seríssimo na região e todos os moradores e visitantes precisam aderir hábitos que minimizem a chance de propagação do vírus. Veja abaixo quais as diretrizes de biossegurança:
- Antes da viagem, higienize com escova e água todos os sapatos, roupas de trilha, mochilas e bolsas de câmera fotográfica. Lembre-se de remover todo e qualquer resquício de fezes, solo, pedra ou sujeira. O mesmo deve ser feito antes de sair de Falklands caso seu destino seja Geórgia do Sul ou Antártida.
- Em Falklands, você verá recipientes para limpar e desinfetar as solas dos sapatos toda vez antes de entrar no hotel e antes de subir no avião doméstico. Este procedimento é obrigatório e por isso é recomendado que você utilize sapatos impermeáveis.
- Jamais toque em um animal doente. Se possível, tire fotos e comunique imediatamente serviço veterinário através do telefone +500 27366 ou email [email protected].

Importante: Não seja um turista sem noção! Obedeça às regras dos destinos visitados, incluindo as regras de biossegurança. Infelizmente presenciei um alecrim dourado com preguiça de limpar os sapatos 🙄.
Outras dicas úteis
- Voltagem: 240v
- Tomada: As tomadas utilizadas nas Ilhas Falkland são do tipo C e G. É recomendado que você leve um adaptador universal para garantir que todos seus eletrônicos sejam carregados durante a viagem.

- Fuso-horário: GMT-3 no verão e GMT-4 no inverno
- Contatos em caso de emergência: Para contatar a polícia ou o corpo de bombeiros basta ligar para 999.
- Gorjetas: Lembre-se de retribuir pelo atendimento com gorjetas. Geralmente são 10% a 15% do valor do serviço.
Drone
Honestamente, não recomendo levar drone, principalmente durante o verão, um período que venta muito. Eu levei o meu e não havia possibilidade alguma de utilizá-lo. Além disso, mesmo com a permissão do governo para voar o drone, há diversas regras a serem seguidas e muitas ilhas privadas não permitem o uso. Outro ponto importantíssimo é a questão de haver aves e outros animais que não devem ser incomodados com o uso do aparelho.
Caso ainda assim você queira ou precise levar seu equipamento, envie um email para [email protected] informando o período da viagem, intenções de uso, e questionando se há necessidade de uma autorização. Para conseguir uma autorização comercial, válida para quem tem a intenção de vender imagens ou até mesmo de publicar em sites como seria o meu caso, é cobrada uma taxa. Comece o processo com pelo menos duas semanas de antecedência à sua viagem.
Melhor época para visitar
A melhor época para visitar as Ilhas Falkland é entre novembro e janeiro. Com a chegada do verão, além de lidar com temperaturas mais amenas, você poderá presenciar os animais em maior atividade se comparado a outras estações do ano.
Para referência, minha viagem aconteceu na última semana de novembro de 2023, e como você pôde acompanhar no Instagram, conseguimos ver de tudo, inclusive orcas. Nos meus vídeos também fica nítido o ponto negativo desse período – o vento.

Dica da raposa
- Se você viajar para as Ilhas Falkland no verão, prepare uma boa jaqueta corta-vento e touca. Caso queira gravar vídeos com um bom áudio, um microfone com protetor externo será essencial (eu falhei neste último ponto 😰).
Segue abaixo uma tabela resumindo as temperaturas e chances de chuva. Note que sempre requer um bom casaco de frio.

Fonte: climate-data.org
Caso vá em junho, não deixe de participar do evento chamado “Mid-winter Swim“, onde os moradores da capital Stanley mergulham nas águas frias de uma de suas praias. Eu falo mais do evento neste artigo que escrevi para o Tripadvisor sobre festivais na América Latina.
Quantos dias ficar nas Ilhas Falklands
A limitação de voos já acaba te direcionando a ficar 7 noites pelas Ilhas Falkland, e eu particularmente acho que esse é o mínimo que qualquer um deveria ficar considerando a distância do destino e para que tenha a oportunidade de visitar pelo menos 2 ilhas, relaxar e se dar mais chances de observar os animais que deseja.
Dica da raposa
- Devido ao número limitado de visitantes por ilha, é importante que você planeje sua viagem com pelo menos três a quatro meses de antecedência.
Roteiro em Falklands
Veja abaixo como foi meu roteiro para as Ilhas Falkland:
| Dia da Semana | Dia | Local da Hospedagem |
|---|---|---|
| Sábado | 1 | Stanley |
| Domingo | 2 | Pebble Island |
| Segunda-feira | 3 | Pebble Island |
| Terça-feira | 4 | Hill Cove |
| Quarta-feira | 5 | Hill Cove |
| Quinta-feira | 6 | Bleaker Island |
| Sexta-feira | 7 | Sea Lion Island |
| Sábado | 8 | Stanley |
Ele foi extremamente corrido, afinal foram 5 voos e 5 ilhas exploradas em apenas 8 dias. Mas foi ótimo para que eu pudesse ter uma boa visão do que o destino como um todo tem para oferecer. Em apenas 8 dias, eu não trocaria meu roteiro, porém se pudesse, escolheria ficar duas semanas para poder aproveitar cada cantinho com mais calma.
Hospedagem
Stanley possui maior oferta de hospedagens, enquanto outras ilhas podem chegar a ter apenas uma opção com número limitadíssimo de pessoas.
Veja abaixo algumas opções de onde ficar nas Ilhas Falkland:
- Stanley: Em Stanley eu tive a oportunidade de me hospedar no hotel Malvina House e no B&B Anchors Aweigh. Outra opção que parece bem interessante é o The Waterfront Boutique Hotel.
- Pebble Island: Eu fiquei no The Nest, uma deliciosa casa de campo dos hosts Dot e Alex, que são os proprietários da ilha.
- Hill Cove: Em termos de acomodação, o Boxwood Pod, em Hill Cove, foi minha favorita de toda a viagem. Além de ser um chalé de estilo glamping super privativo e charmoso, os hosts Shelley e Peter são extremamente amáveis e oferecem comidas caseiras vindas direto da fazenda.
- Bleaker Island: Nesta ilha privativa, fiquei na Cassard House, uma pousada com 4 quartos que comporta até 8 pessoas. A outra alternativa seria uma casinha de 2 quartos, chamada Cobb’s Cottage.
- Sea Lion Island: Sua única opção de hospedagem é o Sea Lion Lodge, que pode receber até 20 pessoas.
Turismo sustentável
Sem franquias globalmente famosas, ao viajar por aqui você tem a tranquilidade de que boa parte do seu dinheiro ficará com moradores e nativos. O turismo de base comunitária está intrínseco em Falklands, você provavelmente vai se hospedar em algum chalé dentro de uma fazenda de moradores. Aproveite a oportunidade para se conectar com essas pessoas.
O turismo de observação, outro forte do arquipélago, exige paciência e atenção aos detalhes. Os animais não vão aparecer na hora que você quer, se é que vão aparecer. Pesquise sobre temporadas, horários e condições climáticas que favorecem o aparecimento do seu animal favorito, assim você aumentará as chances de viver o que deseja.
Reforço: nada na natureza livre é garantido. Não viu seu animal favorito? Encare isso como um sinal para fazer uma outra viagem no futuro e tenha o alívio de saber que aquele animal está livre, assim como deveria ser sempre.
Como praticar um turismo responsável em Falklands
Aqui vão algumas medidas que você pode (e deve) tomar durante a viagem para ser parte da solução:
Lembre-se: Morar em um arquipélago tão remoto é desafiador, principalmente em relação à logística. Embora minha viagem tenha sido perfeita, como alguém que viveu por 2 anos e meio em uma ilha isolada, sei que muitas dificuldades acontecem nos bastidores. Tenha paciência e empatia com situações inesperadas.
O que NÃO fazer em Falklands
O que levar na mala de viagem
Descubra a seguir o que levar na mala de viagem para Falklands:
- Protetor solar facial (muita gente esquece que o sol continua queimando no frio);
- Creme hidratante para rosto e corpo (o frio intenso resseca a pele);
- Protetor labial;
- Óculos de sol;
- Óculos de grau ou lentes de contato para ver os animais mesmo de longe 🤓;
- Touca e luvas;
- Baselayer (calça e blusa térmica);
- Jaqueta corta-vento impermeável;
- Bota de trilha impermeável;
- Câmera fotográfica (lente com o máximo de zoom possível);
- Power bank e baterias extras para equipamentos eletrônicos;
- Microfone para celular com proteção para vento;
- Dólar, cartão de crédito internacional, cartão de conta global;
- Remédios que você já esteja acostumado.
Dica da raposa
- Use apenas calçados impermeáveis em Falklands
- A Columbia Sportswear é nossa parceira inseparável de aventuras, pela sua alta qualidade e tecnologias inovadoras. Por isso, ela é nossa recomendação para te acompanhar nas suas viagens também. Nossos leitores têm 10% OFF nas compras pelo nosso link de afiliado. Garanta agora seu cupom de desconto Columbia!

Roteiro personalizado
Embora nossos artigos sobre as Ilhas Falkland visam oferecer o mínimo de ferramentas necessárias para que você possa planejar sua viagem de forma independente, eu percebi que as complexidades de logística e informações limitadas online fazem com que a gente fique mais tranquilo quando alguém cuida de tudo pra gente. Por isso, este é um dos poucos destinos que eu, Elaine, me disponho a oferecer um serviço de roteiro personalizado para os leitores e seguidores do Live More, Travel More. Caso tenha interesse, favor enviar um email para [email protected] solicitando um orçamento e informando o seu nome, número para contato via WhatsApp, data prevista de viagem, quantidade de viajantes e um resumo dizendo o que você espera ver e viver no destino.

Eu já te aviso, ir embora das Ilhas Falkland dói. É muito amor e experiências lindas para sair de lá como se nada tivesse acontecido.
Perguntas frequentes
Embora sejam governadas de forma independente, as Ilhas Falkland não são consideradas um país. O arquipélago é um Território Ultramarino Britânico.
Oficialmente, as Ilhas Falkland pertencem ao Reino Unido desde que ele venceu a guerra de 1982 contra os argentinos.
Falklander.
Não.
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Disclaimer:
* Nossa viagem foi realizada em novembro de 2023 a convite da FITB – Falkland Islands Tourism Board.
** Todas as opiniões publicadas são sinceras e com base na minha experiência pessoal.
